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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Nordeste é oásis de otimismo na pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI)




Apesar do mal resultado da indústria brasileira em 2012, o empresariado da região Nordeste encerrou o ano com boas perspectivas para 2013. De acordo com o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei), medido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o empresário nordestino é o mais otimista com os rumos da economia no primeiro semestre de 2013.

De acordo com a sondagem de dezembro, o índice do Nordeste encerrou 2012 em 62,2 pontos, acima da média nacional de 56,9 pontos. Valores acima de 50 pontos indicam confiança entre o empresariado.

Maior região industrial do país, o Sudeste é também a menos otimista com os rumos da economia na primeira metade do novo ano. O indicador para a região foi de 53,1 pontos.

JC NEGÓCIOS

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Brasil entra pela primeira vez no ranking dos 50 países mais competitivos

 


Pela primeira vez, o Brasil entrou para o ranking dos 50 países mais competitivos no Relatório Global de Competitividade, divulgado nesta quarta-feira pelo Fórum Econômico Mundial. Para chegar à 48ª posição desta edição do ranking, o País subiu cinco lugares desde o ano passado.
No topo do ranking, pelo quarto ano consecutivo, está a Suíça. Cingapura ficou em segundo lugar, seguido por Finlândia, Suécia, Holanda e Alemanha. Já os Estados Unidos caíram da quinta posição que ocupavam em 2011 para o sétimo lugar. Em oitavo, nono e décimo lugares ficaram Reino Unido, Hong Kong e Japão, respectivamente.
De acordo com o responsável pela análise dos dados brasileiros, Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral, o ranking foi afetado pela incerteza crescente por conta da crise na Europa, da vulnerabilidade norte-americana e da desaceleração da China. A Fundação coordena a coleta e a análise de dados brasileiros.
Avaliação brasileira
A melhor avaliação sobre a macroeconomia nacional ajudou a puxar o País para a lista dos 50 mais competitivos. Este ano, o Brasil subiu 53 posições no critério “ambiente macroeconômico”, saindo da 115ª colocação em 2011 para a 62ª. O salto, segundo a Fundação Dom Cabral, pode ser consequência da exclusão do indicador “spread bancário” do estudo deste ano. O indicador costuma ser “problemático” para o País, de acordo com a fundação, mas foi retirado da análise de 2012 por ser considerado ineficiente para comparar o grau de eficiência bancária nos diversos países.

Arruda explica que as medidas tomadas pelo governo Dilma Rousseff de redução da taxa básica de juros e consequente na queda dos juros bancários teriam impacto positivo para a colocação do País no ranking, mas não conseguiriam fazer com que o “ambiente macroeconômico” subisse tantas posições.
Além da macroeconomia, o “uso de tecnologias de informação e comunicação” também ajudou a tornar o País mais competitivo, de acordo com o relatório do Fórum Econômico Mundial. O indicador sobre “sofisticação dos negócios”, apesar de ter caído dois pontos de 2011 para 2012, ainda é positivo – o Brasil ficou em 33º lugar.
Do outro lado, os níveis de “confiança nos políticos” e “eficiência das políticas de governo” colocam o País em 121ª e 111ª posição, respectivamente. O Brasil também fica mal posicionado na avaliação da “qualidade da infraestrutura de transportes” (79ª posição), da “qualidade da educação” (116ª posição) e do “volume de taxação como limitador ao trabalho e investimentos” (144ª posição). No pilar “inovação”, o Brasil caiu da 44ª para 49ª posição. O resultado, avalia Arruda, está ligado à falta de mão de obra qualificada.
O relatório é feito com dados estatísticos nacionais e internacionais, além de pesquisa de opinião feita com executivos. Em 2012, o estudo analisou a competitividade de 144 países.
Fonte: O Estado de S. Paulo

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Forbes mostra Dilma focada no empreendedorismo


A revista norte-americana Forbes divulgou nesta quarta-feira a capa de suapróxima edição com a lista das 100 mulheres mais poderosas do mundo, que chegará às bancas no dia 10 de setembro. Quem ilustra a publicação é a presidente brasileira, Dilma Rousseff, que é a terceira colocada no ranking. Na legenda da foto, a revista diz: “Uma ex-marxista alimenta o motor empreendedor”.
No texto sobre Dilma, assinado pelos repórteres Alexis Glick e Meghan Casserly, a Forbes afirma que o Brasil está apostando fortemente no empreendedorismo para melhorar a qualidade de vida da população. “Nenhum outro país do grupo Bric (que, além de Brasil, conta com Rússia, Índia e China) equilibra democracia e riqueza generalizada tão bem. Metade da população brasileira agora está na classe média – sua produção, sozinha, supera toda a economia da vizinha Argentina”, diz o texto.
A Forbes afirma ainda que o Brasil se tornou um dos países mais empreendedores do mundo, com um em cada quatro adultos trabalhando por conta própria, de alguma maneira. Segundo a revista, a tecnologia é um fator decisivo para esse cenário. A publicação comenta também que Dilma está fazendo sua parte para manter a tendência positiva, apostando na queda dos juros, na expansão do crédito, nos investimentos em infraestrutura e em cortes de impostos pontuais. “Em outras palavras, um bônus pró-crescimento”, diz a presidente.
A revista cita que, além da alta taxa de aprovação entre a população, Dilma tem o apoio do empresariado brasileiro. “Nosso governo tem feito reformas substanciais nos últimos anos e Dilma está construindo um ambiente fértil para os investidores”, diz o empresário Eike Batista em entrevista para a Forbes. “Ela é corajosa o suficiente para levar o Brasil à frente”, acrescenta.
Apesar das medidas que beneficiam o mercado, a Forbes afirma que Dilma não abandonou seu histórico na luta por mais justiça social. “Se você acha que o mercado sozinho foi capaz de tirar 70 milhões de pessoas da miséria, você está errado”, comenta a presidente.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Formalização amplia faturamento dos empresários, diz Sebrae


Estudo do Sebrae mostra que o registro da empresa teve impacto positivo nos investimentos

A saída da informalidade gera impactos positivos no desempenho dos negócios conduzidos pelos Empreendedores Individuais. É o que mostra estudo divulgado pelo Sebrae na manhã desta quinta-feira (2) em São Paulo. O levantamento mostra que 55% dos empreendedores que já tinham um negócio antes da formalização declararam ter tido aumento no faturamento da empresa após o registro.
Os investimentos na empresa também foram maiores para 54% dos entrevistados que afirmaram já possuir um negócio informal e 52% passaram a ter maior controle financeiro, o que representa melhoria de gestão.
"O registro como Empreendedor Individual permite trazer esses brasileiros para a economia formal, confere cidadania empresarial e impulsiona os negócios", avaliou Luiz Barretto, presidente do Sebrae.

Com o registro, o Empreendedor Individual passa a ter um CNPJ e pode emitir nota fiscal. Dessa forma, têm acesso a oportunidades de negócios que os informais não tem, como a possibilidade de vender produtos e serviços para grandes empresas e participar de licitações dos governos municipais, estaduais e federal.

Segundo o estudo do Sebrae, 26% dos empreendedores que saíram da informalidade ampliaram as vendas para outras empresas. Porém, apenas 5% passaram a vender mais para governos. "Os empreendedores precisam estar atentos e capacitados para aproveitar essas oportunidades. Somente a União compra cerca de R$ 15 bilhões por ano de produtos e serviços fornecidos por pequenos negócios", afirmou o presidente do Sebrae.

Benefícios

A formalização também permite negociar preços melhores com fornecedores, uma vez que as compras feitas por pessoas jurídicas normalmente são facilitadas. No entanto, o estudo revela que os Empreendedores Individuais ainda não aproveitam essas vantagens: somente 3% reduziram os valores de compras de insumos para seus empreendimentos.
Para se formalizar, basta acessar o Portal do Empreendedor. A inscrição é gratuita e leva apenas alguns minutos. Para ter direito aos benefícios da Previdência Social, o empreendedor paga uma contribuição mensal que varia de R$ 31 a R$ 37, conforme a atividade.
O estudo foi realizado entre março e abril de 2012 com 11,5 mil pessoas em todas as capitais e em municípios de médio e pequeno porte no País. Até a conclusão da pesquisa, o total de EI no Brasil era de cerca de 2,1 milhões. Hoje, este número está em torno de 2,5 milhões. A análise levou em consideração também os dados fornecidos pela Receita Federal até o dia 30 de abril de 2012. A íntegra do estudo está disponível na página doSebrae na Internet. 

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Supersimples completa cinco anos e atinge 6,5 milhoes de empresas


A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (30) que o sistema simplificado de tributação conhecido como Supersimples, ao completar cinco anos, atingiu a marca de 6,5 milhões de adesões de micro e pequenas empresas e de microempreendedores individuais.
No programa semanal Café com a Presidenta, ela lembrou que a adesão ao Supersimples permite acesso a um regime tributário diferenciado, simplificado e com impostos reduzidos. Segundo Dilma, apenas as micro e pequenas empresas que aderiram ao sistema são responsáveis por um em cada quatro empregos com carteira assinada no Brasil.
“Como o próprio nome já diz, o Supersimples simplifica a burocracia e diminui a carga de impostos, reduzindo custos e facilitando a formalização. Isso é importante porque essas empresas são grandes geradoras de oportunidades de trabalho, renda e riqueza em todo o país”, destacou.
De acordo com a presidenta, o número de microempreendedores individuais também vem crescendo e passou de 1 milhão no ano passado para 2,2 milhões em 2012. Dilma ressaltou que profissionais como cabeleireiros, doceiros e mecânicos podem se cadastrar por meio do site www.portaldoempreendedor.gov.br. Em seguida, o trabalhador emite um carnê para pagar a contribuição ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que representa 5% do salário.
“É preciso pagar essa contribuição todos os meses para que eles tenham os seus direitos assegurados – direitos como a licença maternidade, a aposentadoria por idade e o auxílio doença. E, é claro, o direito de emitir nota fiscal, de ter acesso ao crédito mais barato e de ter seu negócio totalmente legalizado”, destacou Dilma.

sábado, 30 de junho de 2012

Sebrae promove Semana do Empreendedor Individual

Quarta edição de evento será realizada de segunda-feira (02) a sábado (07), em todas as capitais e em mais de 200 municípios

Nesta segunda-feira (02), começa em todo o país a 4ª Semana do Empreendedor Individual (EI). Promovida pelo Sebrae, a mobilização nacional vai capacitar os profissionais já formalizados e incentivar os trabalhadores por conta própria a sair da informalidade. O objetivo do evento, que vai até sábado (07), é contribuir para o desenvolvimento e a sustentabilidade desses negócios.

"Já são mais de 2,5 milhões de Empreendedores Individuais formalizados no Brasil, em apenas três anos. Mas a formalização é apenas o primeiro passo, o foco do Sebrae é capacitar a gestão desses negócios para que eles possam se desenvolver", afirma o presidente do Sebrae, Luiz Barretto.

Durante a mobilização, o Sebrae atenderá aos empreendedores em tendas instaladas em locais públicos de grande circulação em todas as capitais e em algumas cidades do interior. Nas tendas, os empreendedores receberão orientações sobre como se formalizar e poderão participar de cursos e palestras.

Haverá espaço também para atender ao EI formalizado, com orientações relacionadas à gestão dos negócios e oportunidades de crédito. A capacitação desse público, por meio das Oficinas Sebrae Empreendedor Individual (SEI), conjunto de soluções em gestão e fortalecimento dos negócios voltado para a categoria, estão previstas a partir deste período.

De acordo com a gerente de Atendimento Individual do Sebrae, Jaqueline Almeida, ao todo serão 277 pontos de atendimento e cerca de 300 oficinas do programa SEI. "O EI é uma figura jurídica muito importante para o país. O fato de estar no mercado de forma legal aumenta as chances de crescer e prosperar. O pequeno negócio de hoje pode se tornar uma grande empresa amanhã", disse.

Na programação do evento estão previstos ainda o atendimento e a orientação com foco diferenciado para os EI que são também beneficiários do programa do governo federal Bolsa Família. São informações sobre as melhores práticas para evitar a inadimplência, como pagamento de taxas e preenchimento de declaração anual, divulgação de oportunidades de crédito, e divulgação do programa Negócio a Negócio. A meta é formalizar 67,9 mil novos EI e atender a 59,4 mil empreendedores registrados.

Após a Semana do EI, o Sebrae lança em Brasília a modalidade virtual do SEI. O projeto será lançado nas modalidades: cartilha impressa e em formato áudio-livro, capacitação via mensagens de celular (SMS) e pela internet. O objetivo é ampliar o uso do SEI pelos clientes que não têm condição de participar presencialmente ou que preferem a flexibilidade de horário do estudo a distância.

Outras edições

Na primeira edição do evento, realizada apenas nas capitais brasileiras, em outubro de 2010, foram registradas 46,5 mil formalizações. A segunda edição aconteceu em novembro do mesmo ano nas cidades do interior e formalizou 28,8 mil empreendedores. Na terceira semana, realizada de 27 de junho a 2 de julho de 2011, foram formalizados 47,4 novos empreendedores individuais. 

sábado, 9 de junho de 2012

Brasil assume a presidência do Mercosul

 

A presidência do bloco é rotativa. A cada semestre, um dos quatro países assume a função

O Brasil assumiu na última sexta-feira (8) a presidência pro tempore do Mercosul. Até o fim deste ano, caberá ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, coordenar conferências e grupos de trabalho que tratam de assuntos como segurança pública, gestão integrada de fronteiras e migração na região do Mercosul.

De acordo com o Ministério da Justiça, Cardozo dará continuidade às atividades de integração dos países, com ênfase no combate à criminalidade e no fortalecimento do acesso à Justiça. Além disso, os países devem ainda fortalecer as ações conjuntas com o objetivo de combater crimes como o narcotráfico e o tráfico de pessoas.

Um congresso envolvendo os Poderes Executivo e Judiciário dos países integrantes do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) vai discutir diagnósticos, análises e possibilidades sobre o tema. Segundo o Ministério da Justiça, data para o encontro entre os países ainda não foi definida.

A presidência do Mercosul é rotativa. A cada semestre, um dos quatro países assume a função. 



quinta-feira, 7 de junho de 2012

Apenas um em cada cinco brasileiros sabe o que é a Rio+20, aponta pesquisa


Apesar de 78% dos brasileiros não saberem o que é Rio+20, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse que os 22% são um número expressivo, já que na época da Rio92, apenas 3% sabiam o que era aquela conferência

Pesquisa divulgada nesta quarta-feira (6) pelo Ministério do Meio Ambiente mostra que 22% dos brasileiros dizem saber o que é a Rio+20. Entre essas pessoas, 89% afirmam saber que a conferência das Nações Unidas vai "mudar a maneira como usamos os recursos naturais do planeta". Mesmo nesse grupo, 11% acreditam que a Rio+20 tem por objetivo tratar de outros temas.
Apesar de 78% dos brasileiros não saberem o que é Rio+20, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse que os 22% são um número expressivo, já que na época da Rio92, apenas 3% sabiam o que era aquela conferência.
"É bastante expressivo que 22% saibam que vai acontecer a conferência. Considerando que estamos falando de todo o Brasil, estamos falando de 40 milhões de pessoas. Acho o número muito bom. E evoluiu em relação à pesquisa feita há três meses [por entidades ambientais, que mostrou que apenas 17% sabiam o que era a Rio+20]", afirmou.
A pesquisa O Que o Brasileiro Pensa do Meio Ambiente e do Consumo Sustentável, realizada pelo instituto CP2 em abril deste ano, mostra ainda que 65% dos brasileiros dizem que cuidar do meio ambiente é uma questão de "sobrevivência". Entre os demais motivos alegados para se ter cuidado com o meio ambiente, aparecem "futuro melhor" (15%), "preservação" (8%), "prevenção de catástrofe" (4%) e "responsabilidade socioambiental" (1%).
De acordo com o levantamento, dos 47% de brasileiros que dizem saber o que é desenvolvimento sustentável, 69% dizem que o conceito se relaciona apenas à questão ambiental. Apenas 26% sabem que ter um desenvolvimento sustentável é cuidar do meio ambiente, das pessoas e da economia, ao mesmo tempo.
Izabella Teixeira disse esperar que a Rio+20 tenha um papel importante em mostrar que desenvolvimento sustentável é mais do que cuidar do meio ambiente. "Em 2012, a Rio+20 dará um salto expressivo em relação à questão social e econômica, além da ambiental, já que a conferência está convocada para discutir também a economia e a erradicação da pobreza", disse.
Outro dado revelado pela pesquisa é que a maioria (61%) dos brasileiros acredita que o principal responsável por solucionar problemas ambientais é o governo estadual. Outros responsáveis que aparecem na pesquisa são as prefeituras (54%), o governo federal (48%), a própria pessoa (46%) e as comunidades locais (21%), entre outros.
A pesquisa também quis saber que entidades tinham atuação "muito boa" na defesa do meio ambiente, na visão da população. As entidades ecológicas foram as mais bem avaliadas, sendo reconhecidas por 41% dos brasileiros, seguidas pelos meios de comunicação (35%), cientistas (35%), governo federal (20%), organizações internacionais (21%), associações de moradores (19%), governos estaduais (16%), prefeituras (14%) e empresários (10%).
Por outro lado, a lista daqueles que têm atuação "ruim ou muito ruim" na defesa do meio ambiente, segundo os entrevistados, é liderada pelos empresários (55%), prefeituras (49%), associações de moradores (48%), governos estaduais (44%) e governo federal (37%), entre outros.
Já entre as principais fontes de informação sobre meio ambiente, segundo a pesquisa, estão a televisão (83%), internet (29,5%), jornais (29%), rádio (27%) e revistas (11%). 

domingo, 3 de junho de 2012

Expansão do crédito esbarra no endividamento da nova classe média


Epecialista acredita que as reduções de juros promovidas pelo governo ajudam a aumentar a inadimplência

Publicado em 03/06/2012, às 13h01

Da Agência Brasil

BRASÍLIA – Um dos principais combustíveis para incentivar o poder de compra das classes C e D, o crédito não deslanchou, apesar das reduções dos juros. Segundo economistas ouvidos pela Agência Brasil, essa desaceleração indica que a expansão do consumo baseada na inclusão da nova classe média ainda não se esgotou, mas encontrou um limite no endividamento das famílias.

Em março, o estoque das operações de empréstimos e financiamentos no sistema financeiro cresceu 1,7%. Em abril, segundo os dados mais recentes do Banco Central, a expansão totalizou 1,2%. As informações referentes a maio só serão divulgadas no fim de junho.

Segundo o professor Fabio Gallo, especialista em crédito da Fundação Getulio Vargas (FGV), aparentemente está havendo o fim de um ciclo que se iniciou em 2009, quando o governo estimulou a concessão de empréstimos e financiamentos para aquecer a economia em meio à crise daquele ano. Para ele, as reduções de juros, tanto das taxas básicas como dos custos dos empréstimos, terão efeito limitado sobre o crédito, pelo menos neste momento.

“A inadimplência das pessoas físicas está batendo recordes [5,9% em março e abril], e pelo menos 25% dos brasileiros estão com dívidas fortes. A maioria dos endividados vem da classe C, que não soube fazer as contas na hora de comprar um carro em até 60 vezes sem entrada”, avalia Gallo. Ele, no entanto, diz que as prestações atrasadas não são o único problema para destravar o crédito. “Mesmo a família com as contas em dia precisa quitar o financiamento antes de pegar novos empréstimos”, explica.

Apesar dos gargalos para recuperar o crédito, Gallo diz ser precipitado falar em esgotamento do modelo de crescimento baseado no consumo da nova classe média. “As medidas podem até surtir o efeito esperado sobre a economia, mas isso vai levar tempo. A renda da população precisa continuar aumentando, e as famílias têm de liquidar os financiamentos contraídos nos últimos anos”, diz.

Especialista em finanças pessoais da Universidade de Brasília (UnB) Newton Marques também refuta a hipótese de que o modelo de crescimento econômico com base no consumo das classes C e D tenha se exaurido. “Estamos apenas num momento de transição, em que as famílias precisam se reorganizar antes que o crédito atravesse um novo ciclo de crescimento”, acredita.

Sobre as reduções de juros promovidas pelo governo e pelos bancos, Marques diz que, no fim das contas, a população sairá cada vez mais endividada. “A partir do momento em que os consumidores puderem alongar dívida a taxas mais baixas, a capacidade de endividamento aumenta”, avalia. Esse processo, no entanto, diz ele, exige mais cuidado das famílias da nova classe média em relação às finanças.


Crise deve fazer País perder R$ 35 bi em investimentos


Empresas vão deixar de investir R$ 7,6 bilhões na expansão da produção em 2012

Publicado em 03/06/2012, às 10h13

Da Agência Estado

O Brasil não vai poder contar com o entusiasmo das empresas para estimular a economia. Depois de crescimento de apenas 0,2% do Produto Interno Bruto no primeiro trimestre do ano, em grande parte por causa da queda dos investimentos, um mapeamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aponta que as empresas vão investir R$ 35 bilhões a menos em quatro anos, uma retração que preocupa o governo.

Segundo os dados do BNDES, o País deve ter R$ 579 bilhões em investimentos em oito setores industriais entre 2012 e 2015 - valor 6% menor que os R$ 614 bilhões estimados no ano passado para o período 2011-2014. "Não dá para negar que fomos afetados pela crise mundial. Mas o Brasil ainda é um dos países onde há mais oportunidades", diz Fernando Puga, chefe do departamento de acompanhamento econômico do BNDES.

Outra pesquisa feita pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), com 1.202 empresas, aponta na mesma direção. O levantamento mostra que o volume de investimentos em máquinas e equipamentos será 11% menor este ano que em 2011, quando foram aplicados R$ 97,28 bilhões. As empresas vão deixar de investir R$ 7,6 bilhões na expansão da produção em 2012.

"Uma parte da indústria está ociosa por falta de demanda no mercado externo. Outra parte não consegue competir com os importados. Se você vende menos no mercado interno e a exportação cai, por que vai investir?", questiona José Ricardo Roriz Coelho, diretor do departamento de competitividade e tecnologia da Fiesp. Dos 14 setores pesquisados pela Fiesp, 11 vão reduzir os investimentos em 2012.

Vários fatores contribuem para o desânimo. No front externo, aumenta a expectativa sobre a saída da Grécia da zona do euro e a China desacelera mais forte que o previsto, derrubando os preços das commodities. No front interno, o crescimento baixo do PIB no trimestre também afeta o humor. "A indústria está estagnada, o que elevou a ociosidade e inibiu os investimentos", diz Júlio Sérgio Gomes de Almeida, consultor do Instituto de Estudos sobre o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

Os especialistas estão mais receosos com o impacto da crise nos investimentos hoje do que quando a crise começou, em 2008. Naquela época, não houve cancelamento de projetos, porque a economia local se recuperou rápido e ainda havia esperanças que os países ricos fossem mais ágeis para sair da crise.


sexta-feira, 1 de junho de 2012

Resultado do PIB confirma crescimento gradual da economia, diz BC


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Diante de uma freada do investimento e da desaceleração da indústria, o PIB fechou o primeiro trimestre do ano com alta de 0,2% ante os três últimos meses de 2011, segundo divulgou hoje o IBGE.
“A demanda doméstica continuou sendo o principal suporte da economia, com o consumo das famílias sendo estimulado pela expansão moderada do crédito, pela geração de empregos e de renda”, afirmou Tombini.
O PIB, que reflete a soma das riquezas produzidas por um país, é composto pelos dados da indústria, agropecuária e setor de serviços. Também é analisado a partir do consumo, ou seja, pelo ponto de vista de quem se apropriou do que foi produzido. Neste caso, é dividido pelo consumo das famílias, pelo consumo do governo, pelos investimentos feitos pelo governo e empresas privadas e pelas exportações.
Segundo Tombini, mesmo diante da crise internacional que atinge, sobretudo, países europeus, o mercado interno constitui um diferencial da economia brasileira e prevê um ritmo de crescimento mais acelerado nos próximos trimestres.
“Os sólidos fundamentos e um mercado interno robusto constituem um diferencial da economia brasileira. Dessa forma, mesmo diante do complexo ambiente internacional, as perspectivas apontam intensificação do ritmo de atividade ao longo deste ano.”
Já o ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou que a atividade econômica no primeiro trimestre do ano repetiu o desempenho do último trimestre do ano passado.
“Não houve nem desaceleração nem aceleração em relação ao último trimestre do ano passado”, disse. O ministro voltou a falar em um objetivo entre 4% e 4,5% para o crescimento da economia brasileira neste ano.
PRODUÇÃO
De acordo com o IBGE, a indústria cresceu 1,7% em relação ao último trimestre de 2011, mas teve alta de apenas 0,1% na comparação com mesmo trimestre do ano anterior.
O setor sofreu com a maior competição externa (que não refluiu ainda a alta recente do dólar), a perda de ritmo do consumo interno diante dos maiores níveis de endividamento e inadimplência e estoques elevados.
Segundo a gerente das Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, o crescimento das atividades de distribuição de água, energia e gás (3,6%) e construção civil (3,3%) evitaram uma queda do PIB industrial.
Já os serviços, sob impacto do bom desempenho do mercado de trabalho (renda em alta e baixa taxa de desemprego), tiveram alta de 0,6% frente ao último trimestre de 2011 e de 1,6% na comparação anual.
O destaque negativo do lado da produção foi a agropecuária. O PIB do setor encolheu 7,3% em relação ao último trimestre de 2011 e 8,5% na comparação com igual período de 2011.
Palis aponta efeitos climáticos, como estiagem no Sul e no Centro-Oeste, os maiores produtores de grãos, para justificar o baixo desempenho. No primeiro trimestre, explicou, o peso da atividade é maior pois estão concentradas colheitas importantes, como a da soja, cuja produção caiu 11% no período.
CONSUMO
Sob a óptica dos componentes da demanda, o destaque negativo foi o investimento, que caiu 1,8% na comparação com o último trimestre de 2011 e 2,1% na comparação com o mesmo trimestre de 2011.
O resultado, influenciado pelo ambiente de crise e perspectivas mais negativas para o futuro, mostra que as empresas pisaram no freio em seus planos de investimento. Este foi o pior desempenho no PIB desde o primeiro trimestre de 2009, quando o país sofria com a crise global.
Apesar de um maior endividamento e da alta da inadimplência, o consumo das famílias manteve o mesmo ritmo de expansão do último trimestre de 2011 (1%). Foi sustentado pelo emprego e pela renda em alta, que impulsiona a aquisição de serviços e bens de menor valor.
O consumo das famílias cresce há 34 trimestres consecutivos na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior.
O consumo do governo, por sua vez, avançou 1,5% entre janeiro a março frente ao período de outubro a dezembro. Na comparação anual, a alta foi de 3,4%.
As exportações, em volume, avançaram 0,2% frente aos três últimos meses de 2011 e cresceram 6,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Já as importações (que contribuem negativamente para o PIB por consistirem em bens feitos fora do país) tiveram expansão de 1,1% na comparação trimestre ante trimestre e 6,3% quando comparado com o primeiro trimestre do ano passado.

Brasil cai duas posições em ranking global de competitividade


País caiu de 44o para 46o, ficando atrás de Filipinas, Peru e Hungria; desempenho brasileiro foi prejudicado pelo crescimento frágil do PIB, pressões inflacionárias e competitividade nacional

A escola de negócios suíça IMD divulgou nesta quarta-feira (31) o Ranking Anual de Competitividade (World Competitiveness Yearbook - WCY), que compara as estratégias de gestão econômica e de recursos humanos adotadas pelos países como ferramentas de crescimento e prosperidade. O Brasil, que aparecia em 44o na edição de 2011, caiu para 46o no ranking atual. Desde 2010 o país perde posições no ranking, quando ocupava o 38o lugar.
Na ponta, as economias mais competitivas - de acordo com os critérios analisados pelo IMD - são, respectivamente, Hong Kong, Estados Unidos e Suíça. Os norte-americanos permanecem como o centro da competitividade mundial por conta do poder econômico, dinamismo dos empreendimentos e capacidade de inovação, ponderou o IMD.

"A competitividade dos Estados Unidos teve um impacto profundo em todo o mundo por conta da sua interação única com todas as economias, sejam elas avançadas ou emergentes. Nenhuma outra nação exerce uma influência semelhante", afirma Stephane Garelli, diretor do Centro de Competitividade do IMD. "A Europa é uma economia sobrecarregada de austeridade, é fragmentada em termos de lideranças políticas e dificilmente poderia substituir [os Estados Unidos], enquanto o bloco de mercados emergentes do Sul ainda estão progredindo", completou.

Ranking

PaísPosição 2012Posição 2011Movimento
Hong Kong 1 
1 
0 
Estados Unidos 
2 
1 
-1
Suíça 3 
5 
2
Cingapura 
4 
3 
-1
Suécia 
54 
-1
Canadá 
67 
1
Taiwan 
76 
-1
Noruega  813 
5
Alemanha 
910 
1
Qatar108  -2
(Fonte: Fundação Dom Cabral)

Desempenho dos BRICs

Além do Brasil, a China e a Índia também perderam posições no ranking, entre as economias emergentes: o primeiro caiu de 19o para 23o, enquanto o segundo estava em 32o em 2011 e escorregou para 35o. Já a Rússia subiu para da 49a para a 48a colocação.

O decréscimo do Brasil no ranking vem ocorrendo desde 2010, quando o País ocupava o 38º lugar. No ano seguinte caiu para a 44ª posição e, em 2012, desceu à 46ª colocação. Segundo Carlos Arruda, professor da Fundação Dom Cabral e responsável pela coleta e análise dos dados da pesquisa relacionados ao Brasil, a perda de oito posições nos últimos três anos tem explicação.

O Brasil no World Competitiveness Yearbook 2012 


2010 2011 
2012 
Performance Econômica373047
Economia Doméstica 
191025
Comércio internacional575756
Investimento internacional 
421930
Emprego 
16116
Preços 
395155
Eficiência do Governo 
525555
Finanças públicas 
293041
Política Fiscal 
373937
Marco Regulatório 
545855
Legislação dos negócios 
555555
Estrutura social 
355153
Eficiência dos Negócios 
242927
Produtividade e Eficiência 
285252
Mercado de Trabalho 
33917
Finanças 
242728
Práticas Gerenciais 
222820
Atitudes e Valores 
161915
Infraestrutura 
495145
Básica 
485550
Tecnológica 
535354
Científica 
363633
Saúde e Meio Ambiente 
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Educação 
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(Fonte: Fundação Dom Cabral) 


"Apesar dos pontos extremamente fortes da economia brasileira, como o dinamismo econômico e a força do mercado consumidor, fatores como o frágil crescimento econômico do produto interno, a baixa produtividade de suas indústrias e as pressões inflacionárias acabaram por combalir, nos últimos anos, a competitividade nacional", aponta o especialista.

Por outro lado, o Brasil apresentou significativos avanços no Emprego (ganho de cinco posições, ocupando o 6º lugar no ranking) e na infraestrutura (ganho de seis posições, no 45º lugar no ranking). A Eficiência dos Negócios continua sendo o pilar de maior força e estabilidade competitiva do Brasil, ocupando o 27º lugar (ganho de duas posições). "Isso sinaliza para a força das práticas de gestão no país, as quais representaram um avanço de oito posições no ranking, e das atitudes e valores da sociedade e do empresariado, que evoluíram quatro posições em 2012", conclui Arruda.