segunda-feira, 4 de junho de 2012

Ranking de universidades em ascensão conta com duas instituições brasileiras

Lista elaborada pelo THE (Times Higher Education) considera apenas universidades com menos de 50 anos

O ranking de universidades em ascensão divulgado pelo THE (Times Higher Education) conta com duas instituições brasileiras: a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e a Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita Filho), ambas localizadas no estado de São Paulo.

De acordo com a lista, que considera apenas universidades com menos de 50 anos, as instituições brasileiras fundadas, respectivamente em 1966 e 1976, respectivamente, ocupam a 44ª e a 99ª posições, entre 100 instituições analisadas.

Dentre os quesitos observados pelo Times Higher Education para a elaboração do ranking estão itens como ensino, pesquisa, investimento do setor privado e mix internacional.

Ranking

Sobre as dez primeiras colocadas do ranking, as instituições localizadas no Reino Unido e na Coreia do Sul dominam a lista, com três e duas instituições, nesta ordem. Os Estaos Unidos também contam com duas universidades e completam a lista Suíça, Hong Kong e França, conforme é possível observar na tabela a seguir:

TOP 10

Classificação Instituição País Ano de Fundação

1º Ponhang University of Science and Techonology, Coreia do Sul 1986

2º École Polytechnique Fédérale de Lausanne Suíça 1968

3º Hong Kong University of Science and Technology Hong Kong 1991

4º University of California, Irvine EUA 1965

5º Korea Advanced Institute of Science and Technology Coreia do Sul 1971

6º Université Pierre et Marie Curie França 1971

7º University of California, Santa Cruz EUA 1965

8º University of York Reino Unido 1963

9º Lancaster University Reino Unido 1964

10º University of East Anglia Reino Unido 1963

44º State University of Campinas (UNICAMP) Brasil 1966

99º São Paulo State University (UNESP) Brasil 1976


(Fonte: Times Higher Education)






Como ser fiel ao que o cliente espera da sua marca?

Uma loja precisa ser a representação física da marca e transmitir seus valores e sua importância através de tudo o que faz. Da aparência ao layout, do atendimento a embalagem

Quando se pensa em fidelizar clientes, o primeiro desafio é distinguir o comportamento de compra dos diferentes grupos. Por exemplo: enquanto há uns que compram por conveniência, preço e disponibilidade, outros preferem buscar uma boa experiência de consumo. No primeiro caso, existem instrumentos já bastante difundidos que estimulam o cliente a voltar a comprar. Os cartões de compras, por exemplo, são fatores que motivam a recompra em um mesmo estabelecimento a partir da premiação por sua frequência. São, contudo, clientes volúveis, que não resistem ao primeiro "canto da sereia" que escutam da concorrência.

As operadoras de telefonia celular, os supermercados e as lojas de material de construção são dos ramos que mais enfrentam este tipo de situação, pois é comum terem estes tipos de compradores. O que os leva de volta a um estabelecimento normalmente é uma boa vantagem ou uma boa oferta, mais do que um bom serviço ou até mesmo um atendimento diferenciado. Já para aqueles que buscam uma experiência única de compra, somente uma vivência que lhe tenha dado prazer o levará de volta ao mesmo estabelecimento. Não se trata somente da qualidade do produto, de eventuais serviços agregados, do preço, da excelência do atendimento ou de qualquer outro fator isolado, mas de como ele se sente com a compra e após a compra, no serviço pós venda.

Uma loja precisa ser a representação física da marca e transmitir seus valores e sua importância através de tudo o que faz. Da aparência ao layout, do atendimento a embalagem. Vejam bons exemplos mundiais importantes como a Nike, a Gap, Ralph Lauren ou Apple. São lojas que representam expressões físicas dos ideais das marcas. Da mesma forma, existem grandes nomes do varejo, como os supermercados, que representam ou pretendem representar economia no bolso do consumidor. E o cliente compra isto! Quando a promessa da marca se desfaz, quebra-se o encanto e o cliente não volta mais. E jamais se esqueça do pós venda. Uma experiência ótima na compra se desfaz rapidamente na frustração de uma falta de atenção no atendimento. É difícil fidelizar um cliente quando ele sente que simplesmente não está recebendo o bem ou serviço que espera ou acredita que merece.

Entre o extremo da conveniência e o máximo da personalização, o que garante o sucesso das estratégias de fidelização é o permanente monitoramento de seus clientes. Entender o comportamento deles é fundamental para oferecer-lhe a melhor experiência dentro daquilo que esperam. Se analisarmos com cuidado, isto vale tanto para o cliente de conveniência quanto para aqueles mais sofisticados. No fim do dia todos buscam uma boa experiência. Enquanto para uns ela vem de uma boa oferta, outros se encantam com um serviço personalizado. A questão chave é descobrir o que motiva cada um deles e deixar claro para os mercados que deseja atingir qual é a sua proposição de valor.

Philip Kotler fala em proposição de valor e disciplina de valor. Enquanto a proposta de valor trata da promessa da marca a seu mercado, a disciplina de valor define como internamente a empresa irá responder aos desafios de cumpri-la. Outra das grandes causas de estratégias de fidelização mal sucedidas é exatamente a falta de coerência destes dois lados da mesma moeda. Uma empresa que promete preços baixos não deve e não pode oferecer um serviço premium para o qual não está preparada assim como uma empresa que oferece serviços diferenciados poderá não conseguir praticar preços baixos. Ao se misturar as coisas, corre o risco não só de perder a confiança do cliente como amargar perdas financeiras graves. Portanto, conheça seu cliente e seja fiel ao que ele espera de você. Somente assim será possível mantê-lo por perto.







Rodada de negócios reunirá cerca de 200 lojistas do Brasil e do exterior na Paraíba

Espaço de estímulo e fomentação de negócios espera que número de vendas durante o evento e no pós-evento chegue a R$ 20 milhões

Cerca de 50 indústrias de calçados do Nordeste participarão da Rodada de Negócios do Gira Calçados, que tem início nesta terça-feira (5) e segue até a próxima quinta-feira (7), na Fiep, em Campina Grande (PB). O espaço de estímulo e fomentação de negócios vai contar com, pelo menos, 200 lojistas de 23 estados brasileiros, além de outros países.

De acordo com a coordenadora da Rodada de Negócios, Christianne Fiusa, a expectativa é de que o número de vendas no evento e no pós-evento chegue a R$ 20 milhões. "Teremos grandes empresas que não importam calçados, como a Riachuelo, participando do evento. Esta é uma grande oportunidade para as empresas que desejam negociar e que estejam adequadas às exigências de fornecimento", explicou.

A Rodada de Negócios do Gira Calçados foi organizada de maneira diferenciada. "Optamos por modificar a forma de reunir os empresários. Cada empresa expositora tem dois espaços para apresentar a sua coleção. Elas podem participar do showroom e transitar nas salas de negociação", explicou Christianne.

"Temos normas e procedimentos para os vendedores e compradores. Eles recebem manuais, pois este é um evento de negócios e não de visitação", comentou. Já os pedidos são emitidos num software, com controles e estatísticas para a inteligência comercial.

Para Christianne Fiusa, o Gira Calçados é um evento de desenvolvimento regional, que transborda para o turismo, comércio, dentre outros, gerando renda. "Ele não compreende só uma cidade, mas sim uma região que hoje representa um quarto da população nacional", destacou.

"Durante o Gira Calçados, haverá a rodada de negócios, Feira de Máquinas e Equipamentos e Informação para o setor. O evento vem para consolidar a posição do Nordeste como grande e maior exportador de calçados", disse.


Programação da Rodada de Negócios


Dia 6 – quarta-feira

8h30 – Credenciamento – Rodada

9h – Início da Rodada de Negócios

19h00 – Encerramento das atividades

Dia 7 – quinta-feira

8h30 – Credenciamento – Rodada

9h – Início da Rodada de Negócios

19h00 – Encerramento das atividades



Inscrições abertas para o Prêmio Petrobras de Tecnologia



Até o dia 16 de julho estão abertas as inscrições para o Prêmio Petrobras de Tecnologia Engenheiro Antônio Seabra Moggi 2012. A iniciativa visa a reconhecer a contribuição de estudantes, pesquisadores e instituições para a superação de desafios tecnológicos nos negócios da Companhia e na indústria nacional de energia, além de incentivar a revelação de talentos e de trabalhos inovadores na área e promover a aproximação entre as universidades brasileiras e a indústria.

Lançado em 2004, o prêmio é voltado para estudantes de graduação, mestrado ou doutorado de qualquer instituição de ensino superior brasileira. Nesta edição, os trabalhos devem ser inscritos em nove temas tecnológicos: Tecnologia de Energia e Eficiência Energética; Tecnologia de Exploração; Tecnologia de Gás; Tecnologia de Logística e de Transporte de Petróleo, gás e derivados; Tecnologia de Perfuração e de Produção; Tecnologia de Preservação Ambiental; Tecnologia de Bioprodutos; Tecnologia de Refino e Petroquímica e Tecnologia de Segurança de Processos. Em cinco edições, mais de 2.000 trabalhos foram inscritos e 122 foram premiados.

Os autores dos trabalhos vencedores recebem R$ 20 mil na categoria doutorado, R$ 15 mil na categoria mestrado e R$ 10 mil na categoria graduação, além de uma bolsa de estudos do Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq) para elaboração de tese de mestrado, doutorado ou pós-doutorado em instituições de ensino superior nacionais, de acordo com sua formação acadêmica. Os professores orientadores dos trabalhos premiados de todos os temas e categorias recebem a mesma quantia bruta que o prêmio recebido pelo aluno, como taxa de bancada.

As inscrições devem ser realizadas no site do Prêmio, até as 20h (horário de Brasília) do dia 16 de julho. Lá também é possível ler o regulamento do Prêmio e conhecer um pouco dos trabalhos vencedores das edições anteriores.

Quem foi Antônio Seabra Moggi

Antônio Seabra Moggi foi o primeiro superintendente do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobras (Cenpes). Químico Industrial pela Universidade do Brasil (atual UFRJ) e Engenheiro Químico pela Valderbilt University, no Tennesse, EUA, trabalhou no Conselho Nacional de Petróleo (CNP) e na Petrobras, onde participou da fundação do Centro de Aperfeiçoamento e Pesquisa de Petróleo (Cenap), ponto de partida das atividades de Pesquisa & Desenvolvimento na Companhia. Também participou da criação do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP).

FATOS E DADOS PETROBRAS



domingo, 3 de junho de 2012

Megaprojetos erguerão verdadeiros bairros na RMR e em Goiana


Só pelos números já anunciados, a previsão é vender aproximadamente 90 mil casas e apartamentos nestas localidades

Publicado em 03/06/2012, às 07h30

Giovanni Sandes

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O crescimento rápido e caótico do Grande Recife criou uma explosão do mercado imobiliário pernambucano. Atentas ao anseio da classe média e das ascendentes classes C e D por qualidade de vida, construtoras foram buscar como sócios até as seculares usinas de cana-de-açúcar e trouxeram um novo produto: cidades e bairros planejados, com ruas, calçadas largas, ciclovias e a palavra da moda, mobilidade. A soma desses projetos tomou proporções gigantescas. Só pelos números já anunciados, a previsão é vender aproximadamente 90 mil casas e apartamentos, no Grande Recife e em Goiana.

As empresas não vão sair vendendo tudo ao mesmo tempo, de qualquer jeito. O ritmo será dado pela demanda dos consumidores. Mas se tudo sair em 10 anos, prazo médio previsto pelas construtoras, o consumo local de imóveis precisaria praticamente dobrar só para dar conta desses novos projetos.

Se os bairros e cidades planejados vão ou não entregar o que prometem, é preciso observar o futuro de cada um. Mas a ideia que eles vendem, seu apelo, é o resultado comercial de uma triste constatação: o Grande Recife de hoje está estrangulado. Os problemas urbanos são muitos, de saneamento à falta de ciclovias e o trânsito insuportável, com a velocidade média dos veículos chegando a ridículos 4,5 quilômetros por hora na Avenida Agamenon Magalhães, em horários de pico.

E o desafio não é só administrar os problemas de hoje. Pernambuco deslanchou economicamente, uma coisa boa, mas que provoca impactos urbanos que só tendem a acentuar os gargalos. Assim, a mobilidade é só um dos apelos dos projetos, que ainda trazem, por exemplo, promessas de viver bem com mais área verde ao redor e de morar e criar os filhos em um lugar com o crescimento organizado desde o início.

Há outro componente importante e puramente de mercado. Faltam terrenos livres no Recife.

André Freiras, gerente da Unidade de Pesquisas Técnicas, da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe), trabalha com o Índice de Velocidade de Vendas (IVV). Com números, ele mostra que o apetite do comprador pernambucano derrubou pela metade o estoque de imóveis (a quantidade de casas e apartamentos postos à venda, todos os meses).
O estoque era de 6 mil, na média, em 2009. Ano passado, caiu para a metade, 3 mil. E a velocidade de consumo se manteve, com 5.176 vendas fechadas, ano passado. “O consumidor compra tudo praticamente no lançamento”, afirma André.

O desequilíbrio na oferta e demanda fez os preços dispararem, no Recife.

Por tudo isso, há algum tempo as construtoras começaram a procurar alternativas para crescer. A pioneira em Pernambuco foi a Odebrecht, em parceria com os grupos Cornélio Brennand e Ricardo Brennand, que idealizou o primeiro bairro planejado de Pernambuco, a Reserva do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho.

“O Paiva seria um destino turístico, um conceito inspirado em modelos como a Riviera São Lourenço, em São Paulo, no Jurerê Internacional, em Santa Catarina, e até no Vale do Lobo, em Portugal”, explica o diretor de Incorporação da Odebrecht, Luiz Henrique Valverde.


Mas a Reserva, que tem desenvolvimento previsto para um prazo de 15 anos (conheça os números do Paiva e dos outros projetos nos quadros ao lado), teve um contratempo. Quando o primeiro condomínio foi lançado, em 2007, o grande comprador seria o estrangeiro, mas veio a crise internacional, em 2008, e quando o cenário global parecia que ia melhorar, piorou de vez. “Aquele mercado acabou. Mas, quando se entra em um projeto de longo prazo, sabemos que virão momentos de facilidade e de tempestade”, comenta o executivo.


O Paiva se reposicionou e passou vender o complexo como um bairro planejado. O que ajudou foi o acesso viário, construído por uma parceria público-privada (PPP), e que fez o Paiva virar a principal alternativa de acesso ao Complexo Industrial e Portuário de Suape. Resultado? A Reserva já vendeu casas, centenas de apartamentos e arrumou um parceiro internacional, o português Promovalor, para emplacar prédios comerciais e até hotel.

Mas o boom econômico de Refinaria Abreu e Lima, PetroquímicaSuape e mesmo do Estaleiro Atlântico Sul primeiro incentivou empresas a começarem a adquirir ou fechar sociedades para montar grandes áreas em Ipojuca e no Cabo de Santo Agostinho.

A economia estadual teve primeiro uma grande novidade: um novo boom econômico, em Goiana, com Fiat, Companhia Brasileira de Vidros Planos e polo farmacoquímico. A outra foi a Cidade da Copa, um projeto do Estado com a intenção declarada de induzir o crescimento do Grande Recife para o Oeste Metropolitano.

Faltava uma conexão viária para tudo isso. Assim, além da malha urbana, o governo concebeu um grande e bilionário projeto de PPP, o Arco Metropolitano, para criar uma alternativa ao sufocado trecho urbano da BR-101. Pronto, completou-se a grande e nova explosão imobiliária do Grande Recife, com 14 megaprojetos, de portes e públicos diferentes, voltados para todas as faixas de renda, em municípios bem distintos – Goiana, Recife, Ipojuca, Cabo, São Lourenço da Mata, Jaboatão dos Guararapes e até Camaragibe.

Expansão do crédito esbarra no endividamento da nova classe média


Epecialista acredita que as reduções de juros promovidas pelo governo ajudam a aumentar a inadimplência

Publicado em 03/06/2012, às 13h01

Da Agência Brasil

BRASÍLIA – Um dos principais combustíveis para incentivar o poder de compra das classes C e D, o crédito não deslanchou, apesar das reduções dos juros. Segundo economistas ouvidos pela Agência Brasil, essa desaceleração indica que a expansão do consumo baseada na inclusão da nova classe média ainda não se esgotou, mas encontrou um limite no endividamento das famílias.

Em março, o estoque das operações de empréstimos e financiamentos no sistema financeiro cresceu 1,7%. Em abril, segundo os dados mais recentes do Banco Central, a expansão totalizou 1,2%. As informações referentes a maio só serão divulgadas no fim de junho.

Segundo o professor Fabio Gallo, especialista em crédito da Fundação Getulio Vargas (FGV), aparentemente está havendo o fim de um ciclo que se iniciou em 2009, quando o governo estimulou a concessão de empréstimos e financiamentos para aquecer a economia em meio à crise daquele ano. Para ele, as reduções de juros, tanto das taxas básicas como dos custos dos empréstimos, terão efeito limitado sobre o crédito, pelo menos neste momento.

“A inadimplência das pessoas físicas está batendo recordes [5,9% em março e abril], e pelo menos 25% dos brasileiros estão com dívidas fortes. A maioria dos endividados vem da classe C, que não soube fazer as contas na hora de comprar um carro em até 60 vezes sem entrada”, avalia Gallo. Ele, no entanto, diz que as prestações atrasadas não são o único problema para destravar o crédito. “Mesmo a família com as contas em dia precisa quitar o financiamento antes de pegar novos empréstimos”, explica.

Apesar dos gargalos para recuperar o crédito, Gallo diz ser precipitado falar em esgotamento do modelo de crescimento baseado no consumo da nova classe média. “As medidas podem até surtir o efeito esperado sobre a economia, mas isso vai levar tempo. A renda da população precisa continuar aumentando, e as famílias têm de liquidar os financiamentos contraídos nos últimos anos”, diz.

Especialista em finanças pessoais da Universidade de Brasília (UnB) Newton Marques também refuta a hipótese de que o modelo de crescimento econômico com base no consumo das classes C e D tenha se exaurido. “Estamos apenas num momento de transição, em que as famílias precisam se reorganizar antes que o crédito atravesse um novo ciclo de crescimento”, acredita.

Sobre as reduções de juros promovidas pelo governo e pelos bancos, Marques diz que, no fim das contas, a população sairá cada vez mais endividada. “A partir do momento em que os consumidores puderem alongar dívida a taxas mais baixas, a capacidade de endividamento aumenta”, avalia. Esse processo, no entanto, diz ele, exige mais cuidado das famílias da nova classe média em relação às finanças.


Crise deve fazer País perder R$ 35 bi em investimentos


Empresas vão deixar de investir R$ 7,6 bilhões na expansão da produção em 2012

Publicado em 03/06/2012, às 10h13

Da Agência Estado

O Brasil não vai poder contar com o entusiasmo das empresas para estimular a economia. Depois de crescimento de apenas 0,2% do Produto Interno Bruto no primeiro trimestre do ano, em grande parte por causa da queda dos investimentos, um mapeamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aponta que as empresas vão investir R$ 35 bilhões a menos em quatro anos, uma retração que preocupa o governo.

Segundo os dados do BNDES, o País deve ter R$ 579 bilhões em investimentos em oito setores industriais entre 2012 e 2015 - valor 6% menor que os R$ 614 bilhões estimados no ano passado para o período 2011-2014. "Não dá para negar que fomos afetados pela crise mundial. Mas o Brasil ainda é um dos países onde há mais oportunidades", diz Fernando Puga, chefe do departamento de acompanhamento econômico do BNDES.

Outra pesquisa feita pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), com 1.202 empresas, aponta na mesma direção. O levantamento mostra que o volume de investimentos em máquinas e equipamentos será 11% menor este ano que em 2011, quando foram aplicados R$ 97,28 bilhões. As empresas vão deixar de investir R$ 7,6 bilhões na expansão da produção em 2012.

"Uma parte da indústria está ociosa por falta de demanda no mercado externo. Outra parte não consegue competir com os importados. Se você vende menos no mercado interno e a exportação cai, por que vai investir?", questiona José Ricardo Roriz Coelho, diretor do departamento de competitividade e tecnologia da Fiesp. Dos 14 setores pesquisados pela Fiesp, 11 vão reduzir os investimentos em 2012.

Vários fatores contribuem para o desânimo. No front externo, aumenta a expectativa sobre a saída da Grécia da zona do euro e a China desacelera mais forte que o previsto, derrubando os preços das commodities. No front interno, o crescimento baixo do PIB no trimestre também afeta o humor. "A indústria está estagnada, o que elevou a ociosidade e inibiu os investimentos", diz Júlio Sérgio Gomes de Almeida, consultor do Instituto de Estudos sobre o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

Os especialistas estão mais receosos com o impacto da crise nos investimentos hoje do que quando a crise começou, em 2008. Naquela época, não houve cancelamento de projetos, porque a economia local se recuperou rápido e ainda havia esperanças que os países ricos fossem mais ágeis para sair da crise.


Práticos: os portos dependem deles


Profissionais são essenciais para que navios cheguem e zarpem dos grandes terminais

Publicado em 03/06/2012, às 07h01

Adriana Guarda

Hans Hutzler a caminho de começar a manobra do navio CAP Graham, em Suape / Foto: Guga Matos/JC Imagem

Hans Hutzler a caminho de começar a manobra do navio CAP Graham, em Suape

Foto: Guga Matos/JC Imagem

Quem desconhece a atividade portuária pode se surpreender com a figura de um profissional escalando uma escada de corda para embarcar ou desembarcar num navio.  Essa missão, um tanto heroica, cabe ao prático, uma espécie de manobrista de embarcações. Sem a subida dele a bordo, nenhum comandante pode atracar ou desatracar nos portos brasileiros. O serviço de praticagem é milenar e foi regulamentado no Brasil com a chegada de D.João VI ao Rio de Janeiro, em 1808, na abertura dos portos no País. Em Pernambuco a atividade é executada há 100 anos e conta hoje com 11 profissionais em atuação. 

“O prático é o primeiro agente do Estado a subir no navio quando ele chega ao porto. Antes mesmo do pessoal de saúde, vigilância sanitária, Receita e Polícia Federal. Os comandantes estão acostumados à navegação em alto mar. Não estão aptos a executar manobras em áreas restritas. Por isso, a importância e a responsabilidade da praticagem, que contribui para preservar as instalações, a infraestrutura e o meio ambiente local. É um profissional especializado, que conhece todas as características da região”, explica o prático Hans Hutzler, pernambucano de ascendência alemã.

Por questão de segurança, a praticagem é obrigatória por lei no Brasil. A atividade evita prejuízos econômicos e ambientais. “O vazamento de óleo da BP, no Golfo do México em 2010, nos Estados Unidos, serve como exemplo. O poço ficou aberto por 4 meses e o vazamento chegou a 1,2 milhão de barris. Imagine se um navio como o João Cândido bater numa pedra e derramar petróleo? Ele transporta o equivalente a um milhão de barris”, compara, lembrando da tragédia que seria para o turismo da região. Vizinhas de Suape estão as praias do Litoral Sul, inclusive a festeja da Porto de Galinhas.

Esse não é o único caso ilustrativo do papel preventivo da praticagem. O acidente mais famoso foi o do navio Exxon Valdez, no Alasca (EUA), que resultou no vazamento de 41 milhões de toneladas de óleo e um prejuízo de US$ 6,5 bilhões. Como o pagamento do serviço de praticagem era facultativo, o armador (dono do navio) decidiu economizar na tarifa e acabou pagando caro.

Recentemente, no Equador, um porto ficou um mês sem operar em função de um acidente. “O comandante exagerou na velocidade e o navio bateu em um portêiner (guindaste que opera contêineres da embarcação para o cais)”, conta Hutzler. O prático destaca que se uma embarcação encalhar no porto demora pelo menos um mês para ser removida, com prejuízo de inviabilizar a atividade portuária.

A praticagem funciona como uma espécie de cooperativa. Os práticos se juntam e mantém a estrutura para executar as manobras dos navios. No Estado, a empresa que reúne a categoria é a Pernambuco Pilots, que conta com 11 sócios. A empresa emprega 50 funcionários, entre marinheiros e operadores de rádio para atender aos portos de Recife e Suape. O grupo conta com oito lanchas, que são usadas no transporte dos práticos até os navios. Eles pagam as despesas e dividem os valores recebidos nas operações. “Nosso trabalho é difícil. E é uma lenda que recebemos alta remuneração”, reclama, sem revelar o valor. No mercado a informação é que, dependendo da movimentação do porto, o prático chega a tirar R$ 20 mil por mês. Eles trabalham sete dias e folgam sete e realizam uma média de 3 mil manobras por ano.

A equipe do 
JC acompanhou, da lancha da praticagem, a manobra de desatracação do navio de contêiner Cap.Graham, no Porto de Suape, num final de tarde de uma quarta-feira. Em exatos 30 minutos, o prático Hans Hutzler manobrou a embarcação, com o apoio de dois rebocadores. Equipado com colete, luvas, calçado adequado, rádio WHF e GPS ele escalou o navio de 20 metros de altura. Para realizar a manobra ele fica no alto da casaria, controlando pelo rádio como os rebocadores devem se posicionar e que potência devem usar para tirar o navio do cais. “O momento mais perigoso é quando o navio sai da área protegida pelo quebra-mar. “Quando o mar está grosso (revolto) a escada é jogada a três metros e nosso corpo vai junto. Isso faça sol ou faça chuva”, relata.